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quinta-feira, 3 de outubro de 2019

JESUS DÁ RESPOSTA A TRÊS PERGUNTAS

João 14.1-31 - 


O Evangelho de João é o livro que foi escrito por João para apresentar a vida de Jesus de tal modo que os incrédulos possam ir a ele pela fé e os cristãos possam desenvolver sua fé em Cristo como o Messias e o Filho de Deus que desceu do céu. Assim, testemunhar de Jesus é o tema central desse Evangelho, tanto por parte de um homem especial como João Batista, do Pai, do Espírito Santo e de seus discípulos e fieis em toda parte do mundo. Estamos vendo o capítulo 14, da parte III.
Breve síntese do capítulo 14
Em João 14, Jesus responde a uma pergunta de um de seus discípulos, Tomé, quando este não sabendo para onde ia Jesus, disse que não conhecia o caminho e Jesus lhe dá a resposta: EU SOU O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA E NINGUÉM VEM AO PAI SE NÃO POR MIM.
Jesus disse que estava indo para algum lugar. Tomé, francamente, diz que não sabia para onde ele estava indo e, portanto não saberia o caminho. Jesus, então, ao invés de apontar caminhos ou um caminho que era o que se esperava, anula tudo e faz uma afirmação, uma declaração poderosa de que ele era o próprio caminho e não somente isso, mas a verdade e a vida!
Óbvio que o discurso de Jesus era sobre o Pai e sua morada nos céus e ele estava preparando os discípulos para o que iria acontecer em breve com ele quando morreria e depois ressuscitaria.
Quem começa o discurso do capítulo 14 é Jesus e quase todo ele é a fala de Jesus em resposta a três questões.
(1)   Primeira: a pergunta de Tomé sobre o caminho.
(2)   Segunda: a solicitação de Filipe para Jesus mostrar o Pai e isto bastar.
(3)   Terceira: a pergunta de Judas, não o Iscariotes, sobre que Jesus estaria para manifestar-te a eles e não ao mundo.
Vejamos o presente capítulo com mais detalhes, conforme ajuda da BEG:
III. O MINISTÉRIO DE JESUS AOS SEUS DISCÍPULOS (13.1-17.26) - continuação.
Como já falamos, em seus últimos dias, Jesus concentrou-se em ministrar a seus discípulos para prepará-los para a sua partida; ele os serviu, os confortou e orou por eles.
Assim, dividimos essa terceira parte em três seções: A. A cerimônia do lava-pés e a profecia da traição (13.1-38) – já vimos; B. O discurso de despedida (14.1-16.33) – começaremos a ver agora; e, C. A oração intercessória (17.1-26).
B. O discurso de despedida (14.1-16.33).
O discurso de despedida ocupa os capítulos 14 a 16. João registra as várias maneiras pelas quais Jesus confortou os seus discípulos enquanto eles enfrentavam a iminência de sua morte e quanto às provações que viriam nos anos seguintes.
Esse material está dividido em cinco seções: a. A morada (14.1-4) – veremos agora; b. O caminho (14.5-14) – veremos agora; c. O Espírito Santo (14.15-31) – veremos agora; d. A videira e os ramos (15.1-17); e, e. O consolo durante a perseguição (15.18-16.33).
a. A morada (14.1-4).
Ele começa dizendo para não deixarmos turbar os nossos corações. Essa passagem de consolo supremo foi oferecida por Jesus num momento de muito sofrimento por causa da iminente traição de Judas e da deserção de Pedro.
Além do que foi dada somente algumas horas antes da agonia do Getsêmani e do tormento da cruz (13.21). No entanto, suas afirmações estão impregnadas de um tom de paz sublime, cuja intenção era ministrar ao coração temeroso dos discípulos, e não focalizar nas dificuldades de Jesus.
Ele os confortava dizendo que na casa de seu Pai havia muitas moradas. A ênfase está mais na amplidão do que nos compartimentos. Embora o caminho seja apertado e a porta estreita (Mt 7.14), é também verdade que o número dos filhos de Abraão é semelhante à areia do mar ou às estrelas do céu (Gn 22.17), uma "grande multidão que ninguém podia enumerar" (Ap 7.9).
Cristo está preparando um lugar nos céus para os que lhe pertencem, e o Espírito Santo está preparando os eleitos aqui na Terra para habitarem no céu.
Jesus se referiu a si mesmo como aquele que serve de escada entre o céu e a terra (1.51), e será ele quem levará o seu povo para o céu.
Por isso que ele pode dizer que eles já sabiam e conheciam o caminho. Possivelmente essa frase teve a intenção de induzir a pergunta receosa de Tomé e assim dar oportunidade para Jesus dar a sua resposta sublime.
b. O caminho (14.5-14).
Diante da pergunta de Tomé ele pode responder:
ü  Que era a verdade - não apenas aquilo que está de acordo com a realidade, mas também o que é completo e perfeito, em contraste com as coisas que começam e ficam incompletas.
ü  Que era a vida - não apenas a existência, que, aliás, é eterna para todas as pessoas, mas uma plenitude de vida em perfeita realização com o propósito de Deus (1.4).
ü  Que era o caminho - ninguém vem ao Pai senão por ele. Uma afirmação poderosa do caráter exclusivo de Cristo como o caminho para a salvação. Propor e afirmar outros caminhos é iludir as pessoas e desfazer a necessidade da encarnação e redenção de Jesus (At 4.12; Rm 10.14-15; l Jo 5.12).
Todas as bênçãos nomeadas anteriormente são resumidas no conhecimento de Deus, que é muito mais do que uma percepção intelectual, pois envolve um compromisso de coração.
Felipe não resistiu e foi muito objetivo. Ele queria ver o Pai e isso bastava a ele e aos demais, assim entendia. O pedido de Filipe revela o seu equívoco, porém fornece a oportunidade para o comentário que vem em seguida.
Jesus lhe responde que quem o vê, vê o Pai. Essa afirmação não é uma negação da distinção das pessoas da Trindade, mas sim uma recusa ao pedido de Filipe para fornecer revelações adicionais do Pai. Jesus é a revelação mais completa do Pai que o mundo já viu, ou precisa ver.
Ele continua a dizer e a explicar que ele estava no Pai, e o Pai, nele. É uma união reciproca em 10.38 (veja o vs. 20; 17.21).
Há três uniões magnificas proclamadas pela Escritura:
ü  A união das três pessoas da Trindade  num único Deus.
ü  A união da natureza divina e humana na pessoa de Jesus Cristo.
ü  A união de Cristo com o seu povo na realização da redenção.
O Pai e o Filho trabalham em perfeita harmonia; portanto, os milagres que Jesus realizou são evidências dessa cooperação perfeita entre Pai e Filho.
A História tem demonstrado que aqui, Jesus não está afirmando – vs. 12 - que cada cristão fará milagres maiores do que ele fez.
Essas obras "maiores” podem se referir a viver no poder do Espírito Santo que ele derramaria sobre os seus depois que fosse para o Pai. Também é possível que Jesus estivesse se referindo ao trabalho ministerial feito no poder do Espírito Santo, que seria "maior" do que o de Jesus em relação ao seu alcance geográfico e numérico.
Jesus para consolá-los faz uma promessa poderosa a eles e a todos nós no vs. 13, pois tudo quanto pedirmos em meu nome, ele nos concederá a fim de que seu Pai seja glorificado.
Não é uma garantia de que Deus nos dará, automaticamente, qualquer coisa que pedirmos em oração simplesmente por acrescentarmos ao final "em nome de Cristo", como se fosse uma fórmula mágica.
Orar no nome de Jesus é orar corno o seu representante, especialmente aqueles nomeados para exercer a sua autoridade e, portanto, de acordo com a sua vontade. Jesus estava, principalmente, assegurando aos seus apóstolos, seus representantes com autoridade dada por ele, que Deus atenderia   às suas orações no decurso de seus respectivos ministérios.
Essa garantia também se aplica, em menor grau, à igreja, que também representa Cristo na terra (veja 1 Co 5.4), embora com menos autoridade do que os apóstolos. Veja também 15.7,16.
Tudo isso a fim de que o Pai fosse glorificado no Filho. O relacionamento íntimo entre as pessoas da Trindade é manifestado na doutrina da oração.
Aqui, o Filho é apresentado como fazendo o que é pedido; em outras passagens, é o Pai quem concede (15.16: 16.23).
Aqui, o Pai é glorificado no Filho pela eficácia na resposta da oração. O Espírito Santo nos ajuda em nossas orações e intercede por nós (Rm 8.26-27), e Jesus Cristo também intercede por nós (Rm 8.34; Hb 7.25). Essas declarações são todas verdadeiras e elas não são contraditórias; elas se complementam.
c. O Espírito Santo (14.15-31).
O que eles pedissem em oração, Jesus atenderia para a glória do Pai – vs. 14 –, mas tinha uma condição importante que provaria que eles o amavam: eles deveriam guardar os seus mandamentos.
A verdadeira prova de amor não é uma expressão oral, mas um modo de vida em obediência. A desobediência persistente e teimosa fornece boas razões para duvidarmos da realidade do amor, ainda que seja confessado (vs. 21,23-24).
Assim sendo, ele rogaria ao Pai, e ele daria a eles outro Conselheiro. Tanto o Pai como o Filho estão envolvidos no envio do Espirito Santo, que é chamado de:
ü  O Espírito de Deus (Gn 1 2; Rm 8.9).
ü  O Espirito do Senhor (Is 11.22).
ü  O Espirito de vosso Pai (Mt 10.20).
ü  O Espírito de seu filho (Gl 4.6).
ü  O Espírito de Jesus (Fp 1.19).
ü  O Espírito de Cristo (1Pe 1.11).
Ele é que é o outro Consolador, o Espírito Santo, que no Pentecoste iniciaria um relacionamento profundo com os cristãos. Algo que ninguém ainda havia experimentado, é enfatizado aqui. O discurso de despedida de Jesus diz respeito, compreensivelmente, a essa verdade gloriosa (vs. 26; 15.26; 16.7-15).
O termo "Consolador” ("Paracleto”) era utilizado na linguagem jurídica para indicar o advogado de defesa (I Jo 2.1); porém, em termos gerais significa alguém que é "chamado para prestar socorro”. Jesus vinha sendo esse auxilio para os seus discípulos, mas após a sua ascensão, o Espírito Santo ocuparia essa função.
Esse termo enfatiza não apenas a personalidade do Espirito Santo como alguém distinto do Pai e do Filho, mas também a sua união perfeita com eles na obra da redenção.
Ele também é chamado de o Espírito da verdade. O Espirito está em associação perfeita com o Pai (Is 65.16) e com o Filho (Jo 14.6).
O mundo - a humanidade pecadora, em contraste com o povo redimido de Deus (15.18-19; 17.9; I Jo 2.15-17; 4.5: 5.4-5,19) – não poderia recebê-lo porque não o viam nem o conheciam, mas os discípulos o conheciam e vivia com eles e estaria com eles – vs. 17. O Espirito habita no coração, na vida, no corpo e na alma de cada cristão (1Co 3.16-17; 6.19; 2Co 6.16; Ef 2.21).
Jesus então diz que não os deixará órfãos, mas voltará para eles. Refere-se, principalmente, à vinda do Espírito Santo no Pentecostes, mas também à esperança da igreja: o glorioso Mediador. Jesus Cristo, voltará para buscar os remidos (vs. 3,18,28).  
A vida se encontra somente em Jesus (1.4; 14.6), por isso pode dizer que ele vivia e, portanto, todos nós também vivemos – vs. 19; 11.25-26. E promete que naquele dia entenderíamos que ele estava no Pai, e ele nos seus discípulos, e os discípulos nele.
Do mesmo modo que há reciprocidade de vivência interior, há também amor mútuo e profundo. Amar implica revelação; a indiferença impede o conhecimento.
Judas entendeu corretamente a afirmação de Jesus, mas suas expectativas a respeito do Messias provavelmente incluíam um triunfo político que seria visível para todos, talvez por causa das imagens apresentadas em Hc 3.3-15 e Zc 9.9-17. Jesus reforçou a necessidade de obediência.
Jesus continua a fortalecer seus discípulos, agora fazendo promessa de neles fazer morada. Na verdade, o Espírito Santo, o Pai e o Filho, todos moram dentro do cristão (Rm 8.9-11; Ap 3.20).
Existe harmonia perfeita entre o ensino do Pai e o ensino do Filho (7.16; 14.10), por isso que quem o amasse, guardaria as suas palavras, pois elas não eram dele, mas do Pai.
Jesus falava e ensinava, mas prometia o Espírito Santo, a quem o Pai enviaria.
Em 15.26 é o Filho quem envia o Espírito. Logo, o Pai e o Filho cooperam para enviá-lo. Ele ensinaria todas as coisas a eles. Ou seja, todas as coisas de que eles precisariam saber para cumprirem a sua missão (16.13). Também haveria de lembrá-los de tudo o que Jesus tinha dito.
O ensino do Espírito Santo está em total harmonia com os ensinos de Jesus, e ele auxiliará a memória humana frágil e assegurará que as palavras de Jesus sejam preservadas para instruir o povo de Deus (Mt 24.35).
Essas promessas aos apóstolos foram cumpridas na pregação apostólica e na inspiração dos escritos do Novo Testamento. Num certo sentido, essas promessas continuam sendo cumpridas à medida que o povo de Deus é relembrado e ensinado por meio da Escritura inspirada.
A igreja cristã é apostólica porque os apóstolos, pelo auxílio especial do Espírito Santo, perpetuaram e esclareceram os ensinos de nosso Senhor.
Finalmente, Jesus deixava a sua paz para eles. Uma frase hebraica comum que é usada tanto para saudar como para se despedir. Jesus usou essa frase num sentido novo e mais profundo: a sua paz é a firmeza e segurança de alguém que estabeleceu a salvação, alguém que está reconciliando com Deus.
Essa paz é algo que o mundo nunca poderá oferecer, e foi comprada com a morte e ressurreição de Jesus (cf. At 10.36; Rm 5.1;14.17; Ef 2.14-17; Fp 4.7; Cl 3.15). Ela é a solução para todos os medos (vs. 1) e o legado que Jesus nos deixou como seus herdeiros.
O retomo de Cristo para o Pai e a sua segunda vinda finalizam a sua obra de mediação (vs. 3). Sua ascensão põe fim ao período de sua humilhação (isto é, sua vida terrena e o seu ministério) e inicia a sua glorificação. Ele irá receber glória muito maior quando retornar para conquistar todos os seus inimigos e santificar definitivamente os cristãos.
Aquele que ama a Cristo deve almejar vê-lo glorificado (cf. Ap 1.5-6).
Essa afirmação “o Pai é maior do que eu” – vs. 28 - deve ser entendida à luz do testemunho desse Evangelho quanto à completa divindade do Alho e sua igualdade e unidade com o Pai (1.1; 10.30; 14.9).
Aqui, o contexto indica a disposição do Filho de se tornar 'menor' ao abdicar voluntariamente de sua glória como Filho divino de Deus, e seguir pelo caminho da humildade e obediência ao Pai por meio de sua encarnação e morte sacrifical (Fp 2.6-11).
O cumprimento da profecia de Jesus confirmaria a origem divina da sua missão reta (Dt 18.22).
Ele então fala do príncipe do mundo que estaria por vir. Refere-se a Satanás (cf. 12.31; 16.11) e ao sofrimento temporário que Jesus experimentou durante sua prisão, julgamento e crucificação.
Dele, Jesus comenta que nada tem em comum. Essa é uma reafirmação da natureza sem pecado de Jesus (vs. 31; 8.29,46; 2Co 5.21; Hb 7.26-27). Ele é o único membro da raça humana de quem se pode fazer essa afirmação. A obediência que Jesus exigiu de seus discípulos foi exemplificada em seu próprio ministério terreno (Rm 5.19; Fp 2.8; Hb 5.8).
Estava chegando a hora! Eles se levantaram para saírem dali. Essa declaração de saírem seria bastante apropriada se Jesus e os discípulos estivessem deixando o cenáculo; porém, parece que os caps. 15-17 ainda se referem a esse lugar. Várias opções são possíveis, conforme a BEG:
(1)   Jesus fez menção de sair, mas transcorreu um período de tempo até que eles deixassem o cenáculo.
(2)   Eles saíram imediatamente, porém Jesus continuou o seu sermão a caminho do Getsêmani. Essa opção faria da oração em Jo 17 um contraste nítido com a agonia experimentada no jardim.
(3)   João organizou o seu material em tópicos, e não em ordem cronológica.
(4)   Essa declaração de Jesus foi um desafio para se encontrar com Satanás, e não uma ordem para deixar o cenáculo (isto é, levantai-vos e vamos encontrar o inimigo).

domingo, 1 de setembro de 2019

QUANDO O LÍDER ADULTERA




                O mercado internacional da traição descobriu o Brasil. Nos últimos dois meses, três sites internacionais especializados em relações extraconjugais abriram seus serviços no país. Juntas, a canadense Ashley Madison, a americana Ohhtel e a holandesa Second Love contam com cerca de 12 milhões de usuários ao redor do mundo e já reúnem mais de 370 mil pessoas no Brasil. O grande atrativo dessas redes sociais é a facilidade de se conseguir uma "pulada de cerca" de forma rápida e discreta.
                Fidelidade conjugal é um dos temas mais banalizados em nossos dias. Infidelidade conjugal, chamada também de adultério, está em alta nas novelas, nos filmes e também na vida real. Infelizmente, é muito comum observar na roda de homens ou mulheres comentários sensuais referentes a outros homens ou mulheres, que com certeza não é o seu esposo ou esposa. Isto não é novo! Jesus conversando com a mulher samaritana a mandou chamar o seu marido, e ela respondeu: “Não tenho marido. Replicou-lhe Jesus: Bem disseste, não tenho marido; porque cinco maridos já tiveste, e esse que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade” (João 4.17-18).
                O adultério está muito mais perto do que se pode imaginar. É uma possibilidade real. Pode acontecer de uma hora para outra, na próxima esquina, no próximo minuto, na próxima oportunidade e principalmente se o candidato ao adultério não se sente vulnerável a esse delito ou a qualquer outro. Daí a sábia exortação de Paulo em: “Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia” (1 Coríntios 10.12).
                Wayne Cordeiro em seu livro Mentores segundo o coração de Deus, conta a sua experiência: “Vários anos atrás, quando eu me sentia totalmente esgotado e aborrecido, a tentação se beneficiou de um álibi perfeito. Eu havia terminado um compromisso mais cedo e tinha uma noite inteira livre em um hotel próximo ao aeroporto. Eu não sabia que aquela área em particular era conhecida como uma zona de prostituição. Pedi ao garçom uma mesa para um. Eu nem sequer tinha sentado quando uma mulher impressionantemente bela ocupou o assento à minha frente. — Você está satisfeito com o hotel? — ela perguntou. Imaginei que ela fosse uma representante do hotel pesquisando a opinião dos clientes. — Com certeza — respondi. — É um lindo hotel. — E os quartos? São do seu agrado? — Oh, sim — respondi ingenuamente. — As camas são muito confortáveis! — Estou aqui para lhe oferecer serviços de elite — ela continuou — reservados apenas para cavalheiros. Eu devo ser muito bobo, porque mesmo assim não entendi o que ela estava querendo dizer. — Serviços? — perguntei. — Sim, serviços de acompanhante que tornarão a sua estada inesquecível. A ficha finalmente caiu, e toda a situação veio à luz. Ela estava mesmo trabalhando, mas não em uma pesquisa de opinião. Imediatamente uma voz interior interrompeu. Ninguém ficará sabendo, seduziu-me a ardilosa cilada. Você está em um hotel desconhecido, em uma parte afastada do país, e, afinal, merece uma escapada hoje! Pode ter sido apenas uma ilusão, mas acho que vi, com o canto do olho, José correndo da esposa de Potifar. E, quando passou por mim, ele gritou: — É melhor me seguir — e agora mesmo — Desculpe-me — eu disse. — Esqueci uma coisa no quarto. — E corri para alcançar José. Quando cheguei ao quarto, tranquei a porta e fiquei muito feliz com o que havia feito naquele dia!”
                Graças a Deus existem pessoas que lutam diariamente para manter-se integro nesta área da vida. Porém o que acontece quando o líder adultera? O que pensam os novos membros? O que pensam os membros antigos? Os seus filhos? Seu cônjuge? Pregou para muitos e não conseguiu pregar para si?

                UM ALERTA NA BÍBLIA
                Nos dez primeiros capítulos de II Samuel, Davi não fez nada de errado. Nunca é derrotado num combate e nunca erra num julgamento. Começa seu reinado com oração e continua em fé. Os inimigos são subjugados, a nação unificada e os limites estendidos (de 13.200 km para 132.000 km). Numa tarde ociosa ele encontra uma mulher proibida. Seu nome era Bate-Seba. A testosterona sobe, ele intima e dorme com ela. Em vez de arrepender-se, conspira. Mente, deixa um soldado morto e uma viúva chorando.
                Depois disto Davi passou cerca de dez anos suportando as consequências da sua conduta. Por ordem do Senhor, Natã declarou a Davi: “Você matou Urias, o hitita, e ficou com a mulher dele. Por isso, a espada nunca se afastará da sua família” (2 Samuel 12.10).
                Realmente a espada nunca mais se afastou do seu lar. O filho gerado no adultério com Bate-Seba morreu.  Amnon violentou sua meia irmã Tamar. Absalão fez justiça com as próprias mãos, assassinando Amnon e depois usurpando o trono do pai. Por fim Davi chora a morte de Absalão: “Ah, meu filho Absalão! Meu filho, meu filho Absalão! Quem me dera ter morrido em seu lugar! Ah, Absalão, meu filho, meu filho!” (2 Samuel 18.33)
                O Livro de Provérbios compara o adultério com um boi que vai para o matadouro: E ele num instante a segue, como o boi que vai ao matadouro; como o cervo que corre para a rede, até que a flecha lhe atravesse o coração; como a ave que se apressa para o laço, sem saber que isto lhe custará a vida.” (Provérbios 7.22-23)

                O PERFIL DO LÍDER EM RISCO DE ADULTÉRIO
                1 - O poder dominou o seu coração. A sede de mandar e de não aceitar divergências é uma característica do mau uso do poder. Assim, este líder vai minando seus relacionamentos e ficando isolado. Sozinho é uma presa fácil para as investidas do maligno.
                2 – Não tem amigos e mentores. Urge a necessidade de se ter alguém para confiar, desabafar e até mesmo se inspirar. Charles Spurgeon disse: “A amizade é uma das mais doces alegrias da vida. Muitos poderiam ter sucumbido sob a amargura de suas provações, se não tivessem encontrado um amigo”.
                3 – A pregação diverge da prática. É o problema do famoso ditado: “Faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço”. Esta é a pior pedagogia possível. Jesus criticou os fariseus: “mas não façais conforme as suas obras; porque dizem e não praticam” (Mateus 23.3).
                4 – Passando por problemas no casamento. Geralmente tudo se inicia quando existe descontentamento. Os sentimentos do casal estão em conflito e não existe empenho em resolver a situação. Necessidades que o cônjuge não está preenchendo como atenção, aprovação ou afeição, podem ser brechas emocionais para um caso extraconjugal.
                5 - Envolvimento emocional. Começa a sentir-se mais confortável com alguém que não seja o seu cônjuge. As dificuldades do dia são compartilhadas com certo prazer em um almoço, um encontro ou numa carona. Um desejo intenso de estar perto desta outra pessoa.
               
                PROTEGENDO-SE DO ADULTÉRIO
                1 - Entenda que você é vulnerável. Todo grande líder tem os pés de barro. A Bíblia não deixou oculto o erro dos heróis da fé. O exemplo de Davi está registrado para nos alertar. Ninguém é forte o bastante para não se cuidar. Todos têm virtudes e fraquezas, sem exceções.
                2 - Procure um amigo confiável que o aconselhe e possa prestar conta. A Bíblia nos orienta: “Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados.” (Tiago 5.16).
                3 – Invista tempo na vida com Deus. Leitura diária da Bíblia e oração são exercícios espirituais indispensáveis para um líder. Jesus afirmou: “Não só de pão viverá o homem” (Lucas 4.4).
                4 – Considere o preço que terá de pagar se ocorrer uma queda. Pense em sua esposa, em seus filhos, em sua igreja, em seu ministério e no nome de Cristo. Você ainda correria o risco de uma gravidez não planejada e de uma doença sexualmente transmissível.
                5 - Faça constantes investimentos em seu relacionamento conjugal. Crescer no amor é um ato intencional e requer muita dedicação e compromisso. O casamento pode ter sido feito no céu, mas sua manutenção é na terra. A Bíblia orienta sobre o valor que devemos dar ao casamento: “Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula; porque Deus julgará os impuros e adúlteros”. (Hebreus 13.4).


O Rev. Daniel Dutra é psicólogo e pastor da IPI em Rondonópolis, MT

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

QUANDO UM(A) FILHO(A) SE DISTANCIA DOS CAMINHOS DO SENHOR




De todas as experiências dolorosas na vida cristã, parece não haver nenhuma mais angustiante do que observar alguém que amamos se rebelando contra o Senhor. Se uma dessas pessoas for um filho ou uma filha, a dor é ainda mais intensa. O fato é que os pais crentes não criam seus filhos para perdição. Também, por conhecerem o que as Escrituras ensinam sobre o destino dos que se afastam da “fonte de vida”, veem a rebeldia dos filhos como algo praticamente insuportável.
Além da dor causada pelo afastamento da pessoa amada, há a frustração de perceber que os argumentos usados no apelo para que ela se arrependa parecem não ter qualquer efeito aos seus ouvidos. O diálogo fica totalmente prejudicado, pois os interesses se tornam distintos, os padrões de conduta e os valores não são mais os mesmos entre as partes envolvidas. Para piorar a situação, há a contínua sensação de impotência, uma vez que os pais não podem, de fato, mudar a estrutura do pensamento e nem o coração dos seus filhos.
Nessa condição, não são raras as experiências de “surtos de desespero existencial”, que tomam os pais cristãos, especialmente aqueles que se afadigam na obra do Senhor. Logo, uma palavra amiga, um ombro ou um ouvido sensível são sempre bem-vindos. Também, algumas poucas diretrizes práticas poderiam ajudar e por isso compartilho abaixo alguns tópicos para sua reflexão.
  1. Cultive sua alegria no Senhor. A Bíblia ensina que a alegria no Senhor é nossa força (Neemias 8.10), mas não apenas isso. O júbilo por quem Deus é e pelo que ele tem feito por nós é também testemunho para os filhos rebeldes. Se esses filhos observam seus pais tristonhos, deprimidos e desesperados por causa das escolhas erradas que os filhos tomaram, logo começarão a questionar a firmeza da fé dos pais. O inimigo é tão astuto que poderá levá-los a pensar que os pais amam mais os filhos do que o próprio Deus. Aliás, não foi essa a maneira como Satanás acusou Jó, sugerindo que o amor de Jó por Deus era somente em troca da estabilidade financeira e familiar que ele possuía (cf. Jó 1)? Por isso, cultive sua alegria em Deus, pregue as maravilhosas verdades do evangelho para si mesmo, ouça hinos e cânticos espirituais que proclamam a bondade do Senhor para contigo.
  2. Compartilhe sua dor com alguém e peça orações. Deus nos salvou para nos incluir em uma família e esse contexto comunitário é fundamental para nosso crescimento espiritual, mesmo quando atravessamos pelos desertos nessa vida. Alguns pais têm a tendência de manter a dor em segredo. Talvez por não desejarem expor seus filhos ou mesmo pelo orgulho de não serem julgados como pessoas que fracassaram nessa área. Todavia, na vida espiritual nenhum crente é chamado para ser um “cavaleiro solitário”, mas é possível recorrer ao apoio solidário existente no Corpo de Cristo. Um dos exemplos significativos nesse sentido é a história de Daniel (cf. Daniel 1). Aparentemente, o profeta tomou uma resolução sozinho em relação a resistir as ofertas de Nabucodonosor (v 8). No entanto, alguns versos à frente o leitor observa que ele contou com a ajuda, o apoio e as orações dos seus três amigos e aquilo foi importantíssimo para o sucesso da empreitada. Portanto, procure alguém para ajudá-lo nesses momentos.
  3. Interceda intensamente pela salvação de seus filhos. De fato, a única pessoa que pode transformar corações é o Espírito Santo. Nossos argumentos, nossos gestos de amor, nossas broncas, nossas explosões, e tantas outras atitudes, se revelam completamente impotentes e inoperantes nessas situações. Há alguns pais que ainda se lançam à prática do jogo das manipulações, apelando aos sentimentos, ao bom senso e à lógica dos filhos rebeldes. O problema é que a pessoa que está enamorada pelo mundo já tem suas emoções comprometidas com outro amor, com outros valores e outros alvos e sua lógica não opera como a do pai ou mãe cristã. Pior ainda, a manipulação acaba comunicando a vitimização dos pais e, tratando-se de vitimização, jovens rebeldes são, geralmente, especialistas e dificilmente serão vencidos nesse campo. A melhor escolha continua sendo falar deles para Deus em contínua intercessão, “derramando a alma” e colocando-os nas mãos daquele que pode convencê-los do pecado, da justiça e do juízo.
  4. Cultive o seu relacionamento conjugal. Poucos pais percebem o quanto a rebeldia dos filhos afeta seu relacionamento conjugal. O fato é que nesse contexto, o pai e a mãe acabam consumindo e investindo mais tempo e energia nos filhos do que no relacionamento conjugal. É possível ainda que esse relacionamento se torne marcado por discussões e brigas pelo fato de um querer tomar uma atitude em relação ao rebelde e o outro não concordar ou desejar algo diferente. Quando isso ocorre, além da distância dos filhos, os pais passam a viver um relacionamento conjugal distante e enfraquecido. Com isso, a angústia só aumenta e o sabor da vida se torna extremamente amargo! Dessa maneira, pais de filhos rebeldes devem fazer provisões para se unirem mais nessas horas, orarem juntos, chorarem juntos e procurarem fortalecer um ao outro.
  5. Ore para que Deus revele aos seus filhos a feiura do mundo. Quando filhos de pais crentes se encantam com o mundo ao redor, acontece com eles o que diz o ditado popular: “quem ao feio ama, bonito lhe parece”. No entanto, a Bíblia ensina que o mundo jaz no maligno (1João 5.19), ou seja, as influências satânicas estão por detrás de suas propostas e “encantamentos”. Somente Deus pode revelar aos enamorados por esse mundo maligno as feiuras nele existentes. Dessa maneira, parte do conteúdo das orações de pais crentes por seus filhos rebeldes deve ser que o Senhor conceda a eles a graça de perceber a malignidade dessa sociedade, a inconstância dos discursos humanistas e a crueldade de uma vida sem Deus. Suplicar que Deus abra os olhos do rebelde para a realidade espiritual do mundo é extremamente necessário.
  6. Peça perdão pelos erros que cometeu ao longo da criação dos seus filhos. É provável que na tentativa de afirmar seu novo estilo de vida um filho ou uma filha que se afasta do Senhor aponte as falhas dos pais em sua criação. Em determinados momentos parece até injusto para esses pais terem que concordar com filhos que não lhes dão mais ouvidos. Contudo, o evangelho nos convida a uma vida de transparência e honestidade, não apenas diante de Deus, mas também diante das pessoas com quem nos relacionamos. Além do mais, certamente existiram erros na forma de instrução e, embora esses não justifiquem a rebeldia dos filhos, é possível sentar com eles e honestamente pedir perdão pelas falhas, deixando assim um exemplo da humildade cristã. Afinal, quem nos julga é o Senhor.
  7. Trate-os os com a graça com a qual você tem sido contemplado em Cristo Jesus. Em outras palavras, é importante que pais de filhos rebeldes se lembrem de que um dia eles também se rebelaram contra o Pai celestial que, graciosa e insistentemente, os buscou. Em sua obra de perseguir criaturas desviadas, o Pai usou tanto a firmeza da Lei quando a cativante apresentação da Graça. O problema é que muitas vezes os pais de filhos rebeldes se lembram apenas de aplicar a Lei no tratamento com seus filhos. A Lei os expulsa de casa, mas a Graça deixa a porta aberta e convida para o almoço em família! A Lei exige que eles pratiquem a virtude para serem amados, mas a Graça os lembra que eles são amados até quando não vivem virtuosamente. Nesse sentido devemos aprender com o gracioso Pai celestial.
Enfim, não existe “receita de bolo” para situações tão complexas e dolorosas como essas. Ao final, um pai ou mãe pode seguir todos passos acima e ainda assim continuar com as lágrimas nos olhos e a dor no coração. Nenhuma dessas sugestões é garantia pragmática do sucesso, mas apenas dicas sobre como agir certo quando alguém que amamos tanto, como nossos filhos, agir errado! Minha oração é que o Senhor conceda graça aos pais que leem esse texto e se encontram em situações semelhantes.

Valdeci Santos

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

A Mentira e a Verdade… Nua e Crua

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Certa vez, a Mentira e a Verdade se encontraram.
A Mentira, dirigindo-se à Verdade, disse-lhe:
– “Bom dia, dona Verdade!”
Zelosa de seu caráter, a Verdade, ouvindo tal saudação, foi conferir se realmente era um bom dia. Olhou para o alto, não havia nuvens de chuva; os pássaros cantavam; não havia cheiro de fumaça na mata; tudo parecia perfeito.
Tendo se assegurado de que realmente era um bom dia, respondeu:
– “Bom dia, dona Mentira!”
– “Está muito calor hoje, não é mesmo”, disse a Mentira.
Realmente o dia estava quente demais. Desse modo, vendo que a mentira estava sendo sincera, começou a relaxar, a “baixar a guarda”. Por qual razão haveria de desconfiar, se a Mentira parecia tão cordial e “verdadeira”?
Diante do calor insuportável, a Mentira, num gesto de aparente amizade, convidou a Verdade para juntas banharem-se no rio.
Como não havia mais ninguém por perto, a Mentira despiu-se de suas vestes, pulou na água e, dirigindo-se à Verdade, disse-lhe, insistentemente:
– “Vem, dona Verdade, a água está uma delícia, simplesmente maravilhosa.”
O convite parecia irrecusável. Assim sendo, dona Verdade, sem duvidar da Mentira, despiu-se de suas vestes, pulou na água e deu um bom mergulho.
Ao ver que a Verdade havia saltado na água, rapidamente a Mentira pulou para fora, em segundos vestiu-se com as roupas da Verdade que estavam à margem e se mandou sorrateira.
Tendo suas roupas furtadas, a Verdade saiu da água e, por sua vez – ciosa de sua reputação -, recusou-se a vestir-se com as roupas da Mentira, deixadas para trás.
Certa de sua pureza e inocência, nada tendo do que se envergonhar e não tendo outra opção que lhe fosse coerente, saiu nua a caminhar na rua.
Desde então, aos olhos das pessoas, ficou mais fácil aceitar a Mentira vestida com as roupas da Verdade do que aceitar a Verdade nua e crua.