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terça-feira, 5 de novembro de 2019

Ex 20.14 Sétimo Mandamento: “Não adulterarás”.





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Introdução:

Entre os 10 mandamentos, talvez nenhum seja tão questionado em nossos dias quanto este. Muitas vezes as novelas e filmes nos levam a torcer para que o adultério dê certo, contudo, é bom lembrar que a quebra de qualquer mandamento tem a ver com a quebra do primeiro mandamento que diz: “não terás outros deuses diante de mim”. O problema não é o que praticamos, mas algo muito mais profundo que vai em nosso coração. Quando amamos outras coisas além de Deus, começamos também a valorizar e a negar as ordenanças de Deus.

Adultério tem invadido a nossa sociedade com uma força jamais anteriormente conhecida.  O assunto é inevitável. Televisão, cinema e músicas têm explorado com maestria as tramas do relacionamento familiar.  Os escândalos de ordem sexual não são mais prerrogativas de jornais baratos e sensacionalistas. 

A revista Psychology Today afirma que 92 por cento dos entrevistados em uma pesquisa sobre adultério declararam que monogamia é algo de “grande importância.” Porém, 45 por cento dessas mesmas pessoas admitiram o seu envolvimento em uma relação ilícita com a quebra dos seus próprios votos matrimoniais.

I.  Por que as pessoas adulteram?

1.     Mito da grama mais verde- As pessoas começam a comparar seus cônjuges com outros. Eles parecem tão glamourosos, bonitos, educados. Parece que a outra pessoa não tem cólica menstrual nem mau humor, não tem dificuldades financeiras nem dor de cabeça e ansiedade. Isto gera um fator de atração rumo ao desconhecido. Muitos são apanhados nesta armadilha.

2.     Expectativas irrealistas em relação ao cônjuge – Casamos idealizados e achamos que o outro vai poder preencher nossas fantasias e sonhos. Em geral, não sabemos de fato com quem vamos nos casar, já que enxergamos o outro não com a ótica correta, mas com a visão do apaixonado. Romantizamos e idealizamos relacionamentos, pessoas e coisas e o resultado é dramático: O príncipe encantado não existe.

3.     Desejo de auto-afirmação – Todos passamos por fases nas quais nossa auto-estima fica muito baixa. Quando isto acontece, tentamos de uma forma desesperada resolver o dilema buscando soluções baratas e alternativas heterodoxas. Nestas horas, o que procuramos é afirmação interior. Buscamos os ídolos do coração para satisfazer nossa sede interior de sentido (Ez 14). O sexo masculino, de forma muito direta é atingida por este desejo de “masculinidade”, e corre atrás de outros estímulos pecaminosos e anti-cristãos para resolver o dilema da perda de sua libido e desejo sexual. Por isto se fala da idade do lobo, quando o homem busca “a presa” para devorar. Em geral, as conseqüências são espiritualmente danosas e socialmente trágicas.

4.     Mente poluída – Numa sociedade saturada por sexo e pornografia, passamos a alimentar nosso mente com imagens e pensamentos pecaminosos. Alimentamos nossas fantasias e desejos com literatura, fotografia, filmes e conversas que trazem impureza moral para o nosso coração. Em geral, pessoas que caem em adultério estão se alimentando também de pornografia e literaturas perniciosas. Por isto a Palavra de Deus nos exorta a termos uma “mente renovada” (Rm 12.2) e santificada pelo Espírito Santo.

5.     Estilo de vida desprotegido – Howard Hendricks afirmou que lideres cristãos que caíram em pecados sexuais, possuíam três denominadores comuns:

1) Eles não gastavam tempo com Deus;
2) Não prestavam contas da sua vida;
3) Nunca imaginaram que isso poderia acontecer com eles. 

O descuido espiritual traz graves danos espirituais para a alma. Por isto Jesus nos encorajou dizendo: “Vigiai e orai para não cairdes em tentação, o espírito, na verdade é forte, mas a carne é fraca”.

6.     Compromisso inconsistente – Gente que relativiza seus votos com Deus e com a família. Casamento não se mantém por causa do amor (sentimento), mas pelo compromisso assumido.

A Palavra de Deus nos ensina que alianças devem ser levadas a sério, e que quando assumimos uma aliança esta não deve ser barateada ou enfraquecida.
O Senhor foi testemunha da aliança entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira e a mulher de tua aliança. Ninguém com um resto de bom senso o faria. Mas que fez um patriarca? Buscava descendência prometida por Deus. Portanto cuidai de vós mesmos, e ninguém seja infiel para com a mulher de sua mocidade. Porque o Senhor Deus de Israel diz que odeia o repúdio; e também aquele que cobre de violência as suas vestes, diz o Senhor dos Exércitos; portanto cuidai de vós mesmos e não sejais infiéis” ” (Ml 2.14-16).

Dr. Ruth Westheimer, terapeuta, disse na NBC Today Show
"As gerações passadas não conversavam sobre sexo; a nossa não conversa sobre moralidade" (7/5/88). Nossa geração tem medo de tocar em áreas controvertidas. No entanto, adultério é expressamente proibido: “Não adulterarás” (Ex 20.14 e Dt 5.18).

O relacionamento que Deus estabeleceu para o homem e a mulher é heterossexual, monogâmico e perpétuo, e considera importante a fidelidade.

Mas, o que é mesmo adultério?  
A tendência nossa é dar uma definição meramente lingüística: “Infidelidade conjugal; prevaricação”, mas tal conceito é muito pobre para aquilo que as Escrituras nos ensinam. A Bíblia enfatiza a espiritualidade da lei. A lei de Deus é espiritual no sentido de que atinge os desejos mais profundos do coração. Portanto, a lei de Deus não trata apenas do ato praticado, mas lida diretamente com os impulsos e anseios do coração.

Por esta razão Jesus enfatiza que adultério não é um problema só da ação do pecado, mas também dos desejos e inclinações do coração. O pecado atinge os afetos, penetra na essência de nosso ser.

Jesus redefiniu a lei de Moisés: "
Você ouviram o que foi dito, Não adulterarás. Mas eu vos digo: qualquer que olhar uma mulher com desejo, já cometeu adultério" (Mt 5.27-28). Jesus condenou não somente o ato do adultério, mas aponta para o fato de que adultério possui raízes bem mais profundas. Jesus nos convida a olhar o nosso coração, a irmos ao encontro de nossas fontes internas. O pecado se encontra no coração.

II. Prevenindo-se contra adultério: Creio que não poderia deixar de apontar algumas saídas para vencermos a angustiante realidade do adultério.

1.     Vigie sua mente –Esteja atento aos movimentos de seu coração.

Muitas vezes deixamos nossas mentes se ocuparem de pensamentos, imagens, idéias, que ferem o coração de Deus. Por isto a Palavra de Deus nos exorta:
“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida” (Pv. 4:23).

Antes da prática de qualquer pecado, a mente precisa estar envolvida. É do coração, nosso ser interior, que procedem todas as fontes da vida. O adultério passa primeiro pela mente e pela fantasia, portanto, guarde seu coração.

É interessante que Jesus não nos recomenda, diante da tentação, a apenas a orar, mas também a vigiar.  Vigie o que tem lido, pensado e visto. Vigie os movimentos do coração, se assuste com idéias que estão enfraquecendo a sua vida com Deus e seus princípios morais. Ore por isto e traga seu coração para ser tratado por Deus.

2.     Firme seus compromissos com os padrões de Deus – Se não entendermos que os princípios de Deus são para nossa própria vida, e que Deus quer nos proteger através deles, jamais evitaremos o pecado.

Satanás leva-nos a pensar que podemos pecar que não há juízo.  De alguma forma somos levados a pensar que não há consequências espirituais para aquilo que fazemos. Quando estamos comprometidos com a Palavra de Deus, resistimos às tentações, por causa do temor a Deus, por isto. O salmista diz: “Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti” (Sl 119.11). Guardar a Palavra de Deus livra-nos de pecar contra o Senhor.

3.     Mantenha relacionamentos corretos com pessoas do sexo oposto – “...às mulheres idosas como a mães, às moças, como a irmã, com toda pureza” (1 Tm.5.2).

Certo líder cristão encontrou-se atraído em seus pensamentos por uma jovem de sua igreja.  Depois de meses de racionalizações, finalmente admitiu a si mesmo que  estava constantemente buscando razões para se encontrar com aquela pessoa.  Ele resolveu assumir a seguinte postura: “Eu só me encontrarei com ela quando for apenas e estritamente necessário, e gastarei apenas o tempo necessário, só me encontrarei com ela quando outras pessoas estiverem por perto”. Com o passar de alguns meses, seu relacionamento com aquela pessoa voltou ao estado original, saudável, da mesma maneira como para com outras pessoas.

Tome cuidado com aquela pessoa com a qual você gosta de mandar mensagens “inofensivas”, “emojis”, recadinhos o tempo todo. Você pode até alegar que não há nada demais, e realmente não há nada demais nisto, mas considere a intensidade com que você tem procurado estar ao lado desta pessoa, e ainda mais seriamente, como você percebe seu coração diante disto... não se deixe enganar.

4.     Pensando seriamente nas conseqüências do adultério – Satanás tenta convencer de que as coisas não são assim tão sérias.

Dietrich Bonhoeffer em seu livro Tentação declara:  “Quando a cobiça assume o controle, Deus se torna irreal para nós. Tome cuidado com seu coração quando você começa a racionalizar quanto à questão da fidelidade.

O pecado é sério aos olhos de Deus. “Não vos deixeis enganar, aquilo que o homem semear, isto também ceifará” (Gl 6.7). Considere o exorbitante preço da queda: Ferir o coração de Deus, ministérios destruídos, dores à igreja de Cristo e à família, perda da credibilidade, culpa, perda do respeito próprio, memórias que não se apagam, vitória do inimigo e derrota do evangelho.

5.     Volte para a graça de Deus – Oséias diz o seguinte: “Vinde e tornemos para o Senhor, porque ele nos despedaçou e nos sarará, fez a ferida e a curará” (Os 6.1).

Embora este texto de Oseias seja uma referência oportunista que algumas pessoas insinceras estavam fazendo diante de Deus, precisamos recordar que estamos diante de uma grande batalha.  A graça de Deus e a dependência do Espírito Santo são fundamentais para nossa caminhada de fé.

Arrependimento e confissão ainda são os caminhos de Deus para o perdão, reconciliação e restauração. “Aquele que confessa e deixa alcança misericórdia, mas o que endurece o seu coração, cairá no mal” (Pv 28.13,14).

Conclusão:

Temos a tendência de ver os mandamentos de Deus como algo restritivo, punitivo e oposto à nossa felicidade, entretanto, o objetivo de Deus nunca foi o de atar um fardo pesado sobre nossos ombros, e para roubar de nós a nossa plenitude. Seu desejo era gerar vida de alegria e regozijo em nós. Seu propósito ao nos dar sua lei, era de nos dar realização. “Não desampares a sabedoria, e ela te protegerá; sim, com tudo o que possuis, adquire o entendimento” (Pv 4.6). Guarde os mandamentos, “porque são vida para quem os acha e saúde para seu corpo” (Pv 4.22).

O lar é o primeiro universo da felicidade do homem.
O adultério sempre envolve mentira, traição, engano. Quem já passou por experiências em família, sabe quão dolorido é o processo do adultério. As novelas e filmes tendem a minimizar o efeito devastador que o adultério traz dentro de casa, mas centenas de famílias são destroçadas por causa da infidelidade conjugal.

A fidelidade do casal ensina respeito, fidelidade, valor. Deus retira aqui a tendência comum nos casamentos de usar, dispor e tratar o outro como mero objeto.

O lar que se rege por tais comportamentos, ensina respeito, dignidade, igualdade, compreensão, confiança mútua. Esta beleza é retirada quando casais se orientam pela mentira, traição e falsidade. Adultério quebra a unidade essencial de um casamento, pois fere princípios relacionados ao afeto. Na verdade, o aspecto sexual aqui está em segundo plano, o que se tem em vista é a ética matrimonial e o coração. O adultério faz do outro um objeto e trai a confiança e a relação de dignidade que devem existir dentro do casamento.

Por tudo isto e muito mais, Deus nos deu o sétimo mandamento: “Não adulterarás!” Esta lei nunca perdeu seu prazo de validade, e nunca prescreveu.

quinta-feira, 31 de outubro de 2019

Rm 1 Cuidado! Antes de Ler a Carta aos Romanos



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Introdução 

Se você deseja estudar a Carta de Paulo aos Romanos, é bom se prevenir. Mais do que qualquer outro texto das Escrituras Sagradas, seu conteúdo transformou a vida de muitos homens na história da igreja, trazendo grande impacto e profunda transformação nas gerações seguintes.
Se você deseja continuar, faça-o! Mas lembre-se, seu conteúdo é “perigosamente maravilhoso!”
Muitos líderes da igreja influentes, em diferentes séculos, dão testemunho do impacto produzido pela Epístola aos Romanos em suas vidas, tendo sido ela, em diversos casos, o instrumento para sua conversão.

Agostinho de Hipona (354-430)

No verão do ano 386, Santo Agostinho, então professor de retórica em Milão, ainda não convertido, Ali adquiriu o costume de ouvir, as pregações do Bispo Ambrósio. A mensagem atingia cada vez mais o seu coração. Começou a  apreciar a Bíblia e a entender que todo o Antigo Testamento é um caminho rumo a Jesus Cristo. Começou, então, a ler a Bíblia e sobretudo as Cartas de São Paulo e narra que, no tormento das suas reflexões, tendo-se retirado num jardim, ouviu uma voz infantil repetindo uma cantiga que nunca tinha ouvido: tolle, lege, tolle, lege, "toma e lê, toma e lê" (Confissões VIII, 12).
Ao tomar o manuscrito que estava ao lado do amigo, seus olhos caíram nestas palavras de Paulo: “A noite é passada, e o dia é chegado. Rejeitemos, pois, as obras das trevas, e vistamo-nos das armas da luz. Andemos honestamente, como de dia; não em glutonarias, nem em bebedeiras, nem em desonestidades, nem em dissoluções, nem em contendas e inveja. Mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e não tenhais cuidado da carne em suas concupiscências” (Rm 13.13,14).
Entendeu que esta palavra se dirigia a ele, e assim ele registra:

“Não li mais nada, e não precisei de coisa alguma. Instantaneamente, ao terminar a sentença uma clara luz inundou meu coração e todas as trevas da dúvida se desvaneceram” (Confissões VIII.29). Sentiu assim dissipar-se as trevas da dúvida e encontrou-se enfim livre para se doar totalmente a Cristo: "Tinhas convertido a ti o meu ser" (Confissões, VIII, 12).


Martinho Lutero (1483-1546)

Em Novembro de 1515, este monge agostiniano e professor de teologia, começou a expor a Epístola de Paulo aos romanos aos seus alunos, até setembro de 1516. Conforme preparava as lições, apreciava cada vez mais a doutrina da justificação pela fé: “Ansiava muito por compreender a Epístola de Paulo aos Romanos, e nada me impedia o caminho, senão a expressão: ‘a justiça de Deus’, por que a entendia como se referindo àquela justiça pela qual Deus é justo e age com justiça quando pune os injustos... Noite e dia refleti até que... captei a verdade de que a justiça de Deus é aquela justiça pela qual, mediante a graça e a pura misericórdia, Ele nos justifica pela fé. Daí por diante, senti-me renascer e atravessar os portais abertos do paraíso. Toda a Escritura ganhou novo significado e, ao passo que antes ‘a justiça de Deus’ me enchia de ódio, agora se me tornava indizivelmente bela e me enchia de maior amor. Esta passagem veio a ser para mim uma porta para o céu.” (Luther’s Work, edição de Weimar, vol. 54)

Esta Epístola é o mais importante documento do Novo Testamento, o evangelho na sua expressão mais pura”. Aos olhos de numerosos historiadores, o comentário à Epístola aos Romanos por Lutero, em 1516, foi o verdadeiro ponto de partida da Reforma. O momento decisivo na vida de Lutero foi a descoberta que a justiça de Deus, não como julgamento e exigências, mas dada por Deus através de sua graça. A justiça de Deus revelada em Cristo. As consequências desta nova compreensão tiveram grande repercussão na história.

Philip Melanchthon (1497-1560).

Foi um dos maiores colaboradores de Lutero e redigiu a “Confissão de Augsburgo” (1530). Em 1521 concluiu sua famosa obra Loci Communes (“Tópicos comuns” da Teologia), que é de fato uma explicação da Epístola aos Romanos que na sua visão fornecia o sumário da doutrina cristã. A dogmática luterana primitiva confundiu-se, na realidade, com uma dogmática da Epístola aos Romanos. Melanchton converteu-se no principal líder do luteranismo após a morte de Lutero e é considerado o primeiro sistemático da Reforma.

William Tyndale (1484-1536)

Este pastor protestante e acadêmico inglês, mestre em Artes na Universidade de Oxford foi profundamente influenciado pela carta de Paulo ao Romanos. Traduziu a Bíblia para uma versão inicial do moderno inglês. Seu objetivo era fazer o Novo Testamento um livro tal que "todo menino de arado" pudesse lê-lo e se tornasse mais conhecedor das Escrituras que o próprio clero. Apesar de numerosas traduções para inglês, parciais ou completas, terem sido feitas a partir do século VII, a Bíblia de Tyndale foi a primeira a beneficiar da imprensa, o que permitiu uma ampla distribuição.
Tyndale estudou as escrituras e começou a defender as teses da Reforma Protestante, muitas das quais eram consideradas heréticas, primeiro pela Igreja Católica que o perseguira e depois pela Igreja Anglicana. As traduções de Tyndale foram banidas pelas autoridades e o próprio Tyndale foi queimado na fogueira em 1536 em Vilvoorde (10Km a nordeste de Bruxelas), na atual Bélgica, sob a instigação de agentes de Henrique VIII e a Igreja Anglicana. Suas últimas palavras foram, "Senhor, abre os olhos ao rei da Inglaterra", o que de fato aconteceu anos depois.
Ele fez a seguinte declaração sobre Romanos:

“Visto que esta epístola é a principal e a mais excelente parte do Novo Testamento, e o mais puro Euangelion, quer dizer, boas novas e aquilo que chamamos de Evangelho, como também luz e caminho, que penetra o conjunto da Escritura, creio que convém que todo cristão não somente a conheça de cor, mas também se exercite nela sempre e sem cessar, como se fosse o pão cotidiano da alma. Na verdade, ninguém pode lê-la demasiadas vezes nem estudá-la suficientemente bem. Sim, pois, quanto mais é estudada, mais fácil fica; quanto mais é meditada, mais agradável se torna, e quanto mais profundamente é pesquisada, mais coisas preciosas se encontram nela, tão grande é o tesouro de bens espirituais que nela jaz oculto”.

João Calvino (1509-1564)

Teólogo francês, influenciou profundamente a Reforma Protestante. Foi inicialmente um humanista, e depois do seu afastamento da Igreja Católica, começou a ser visto, como uma das vozes mais influentes do movimento protestante. Vítima das perseguições aos huguenotes na França, fugiu para Genebra em 1536, onde faleceu em 1564. Genebra tornou-se definitivamente num centro do protestantismo europeu e João Calvino permanece até hoje uma figura central da história da cidade e da Suíça. Para muitos historiadores, ele foi para o povo de língua francesa aquilo que Lutero foi para o povo de língua alemã.
Calvino também foi profundamente influenciado pela Carta de Paulo aos Romanos, em 1539 escreveu:

“Se... conseguirmos atingir uma genuína compreensão desta Epístola, teremos aberto uma amplissíssima porta de acesso aos mais profundos tesouros das Escrituras”.

Foi explicando a Epístola aos Romanos, seu primeiro comentário bíblico (publicado somente em 1540), que Calvino preparou a segunda edição das Institutas da religião cristã (1539), formulando as principais teses da doutrina calvinista”.

John Wesley (1703-1791)

O coração de Wesley foi tomado por um fogo ao ouvir um estudo sobre a Carta aos Romanos. No dia 24 Maio de 1738, Wesley visitou a sociedade moraviana perto da Rua Aldersgate.  Ali experimentou a sua conversão, que ele descreveu no seu diário:

“Ao entardecer eu fui sem grande vontade a uma sociedade na Rua de Aldersgate, onde alguém estava a ler o prefácio de Lutero à Epístola aos Romanos. Cerca de um quarto para as nove, enquanto ele estava a descrever a mudança que Deus opera no coração através da fé em Cristo, eu senti o meu coração estranhamente aquecido. Eu senti que confiava em Cristo, somente em Cristo para a salvação; e uma certeza foi-me dada que Ele havia retirado os meus pecados, mesmo os meus, e me havia salva da lei do pecado e da morte.” (Works [1872], vol. 1)

Este momento crítico da vida de João Wesley, para muitos historiadores, foi o acontecimento que mais que todos os outros, deu início ao Avivamento Evangélico do Século XVIII.

Karl Barth – (1886-1968)

Teólogo reformado suíço considerado por alguns como o maior teólogo protestante do século 20. Sua influência expandiu-se muito além do domínio acadêmico, chegando a incorporar a cultura,  o que levou a Barth ser apresentado na capa da revista TIME em 20 de abril de 1962.
Barth rejeitou sua formação na teologia liberal predominante típica do protestantismo europeu do século XIX, bem como as tendências mais conservadoras do cristianismo, assumindo  a teologia dialética chamada posteriormente de neo-ortodoxia - um termo que rejeitou enfaticamente.
Barth enfatizou a soberania de Deus, particularmente através da reinterpretação da doutrina calvinista das eleições, do pecado da humanidade e da "distinção qualitativa infinita entre Deus e a humanidade". Suas obras mais famosas são a sua Epístola aos Romanos, que marcou um recorte claro de seu pensamento anterior, e seu enorme trabalho de treze volumes, a Igreja Dogmática, uma das maiores obras de teologia sistemática já escritas. O Papa Pio XII disse que Karl Barth foi “o melhor teólogo desde Tomás de Aquino”.
Em Agosto de 1918, publicou sua exposição da Epístola aos Romanos, e logo no prefácio escreveu:

“O leitor perceberá por si mesmo que este comentário foi escrito comum jubiloso sentimento de descoberta. A poderosa voz de Paulo era nova para mim e se o era para mim, certamente o será para muitos. Entretanto, agora que terminei minha obra, vejo que resta muita coisa que ainda ouvi”.

Alguém teceu a seguinte comentário: “Sua análise caiu como uma granada no pátio de recreio dos teólogos”.

Charles E. B. Cranfield (1915-2015)

Considerados um dos maiores professores de NT em todo mundo, serviu como Capelão do exército na Segunda Guerra Mundial, como pastor para prisioneiros de guerra antes de ensinar por 30 anos como professor emérito de teologia da Universidade de Durham, no Reino Unido.
É autor do famoso Comentário de Romanos “A Critical and Exegetical Commentary on the Epistle to the Romans”, e “On Romans and Other New Testament Essays” cujos dois volumes integram a impressionante série mundialmente conhecida como International Critical Commentary (Icc, com 52 volumes), da qual é um dos editores.
Em 1985 fez a seguinte declaração:

“Tendo-me empenhado muito seriamente com a epístola aos Romanos durante mais de um quarto de século, ainda a encontro sempre nova e não posso lê-la sem prazer. Minha mais séria esperança é que cada vez mais pessoas se comprometam seriamente com ela, e, ouvindo o que ela tem a dizer, encontrem no Deus fiel, compassivo e Todo-Poderoso, como que ela se preocupa, alegria e esperança, bem como força até nestes sombrios, ameaçadores e – para muitos – dias carregados de angustia, através dos quais temos que viver”.


John R. W. Stott (1921-2011)

Pastor e teólogo anglicano britânico, conhecido como um dos grandes nomes mundiais evangélicos. Foi um dos principais autores do pacto de Lausanne, em 1974. Em 2005, a revista Time o colocou entre as 100 pessoas mais influentes do mundo.
Durante muitos anos foi reitor da Igreja anglicana de All Souls, em Londres. Em  1994 escreveu um dos seus grandes trabalhos acadêmicos que foi o comentário da  Carta de Paulo aos Romanos. Ele afirma o seguinte sobre esta carta: “Ela é a mais completa, a mais pura e a mais grandiosa declaração do evangelho encontrada no Novo Testamento”.

Conclusão:
F. F. Bruce afirmou:

“Não é possível predizer o que pode acontecer quando as pessoas começam a estudar a Epístola aos Romanos. O que sucedeu com Agostinho, Lutero, Wesley e Barth acionou grandes movimentos espirituais que deixaram sua marca na história do mundo. Mas coisas parecidas com essas aconteceram muito mais vezes com pessoas bem comuns, quando as palavras desta epístola penetraram nelas com poder. Assim, aqueles que a lerem até esse ponto, estejam preparados para as consequências de prosseguirem na leitura. O leitor está avisado!”

Do ponto de vista doutrinário, é uma das mais ricas e a mais notavelmente estruturada. Calvino afirma “Esta epístola toda inteira é disposta metodicamente...  entre as muitas e notáveis virtudes, a epístola possui uma em particular, a qual nunca é suficientemente apreciada, a saber: se porventura conseguirmos atingir a genuína compreensão desta epístola, teremos aberto uma amplíssima porta de acesso aos mais profundos tesouros da escritura”.

Historicamente nenhuma carta exerceu igual influência; um teólogo protestante chegou a dizer que a história da Igreja se confundia com a da interpretação desta epístola. Não há como negar que este texto sempre ocupou um lugar privilegiado na história da exegese.

Sua interpretação desempenhou papel decisivo na vida destes grandes homens, conforme descrevemos acima, e particularmente em dois momentos cruciais da história da Igreja: No século V, quando Pelágio criou uma das grandes controvérsias sobre a gratuidade da salvação e no século XVI, quando se redescobriu a doutrina da Justificação pela graça.

O estudo desta carta é vital para a saúde teológica da igreja de Cristo. Todos os reformadores da igreja viam Romanos como sendo a chave divina para o entendimento de toda a Escritura.
Então, caso você decida estudar esta carta, esteja alerta, como nos adverte F. F. Bruce.

Rev Samuel Vieira.

domingo, 27 de outubro de 2019

A Arte do Contentamento



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Contentamento é um estado de  espírito, mais que o resultado de situações
favoráveis.
Nunca a sociedade humana teve tanto conforto, boas condições de
saúde, recursos pessoais e desenvolvimento humano como nesta geração, mas,
apesar disso, os índices de depressão, síndrome de pânico, ansiedade e suicídio
têm se tornado cada vez mais alarmantes. Nas décadas de 80 e 90 nos EUA, cerca
de 400 mil adolescentes suicidaram. Esse fato tornou o suicídio a segunda causa
mortis do País, depois dos acidentes de carro.

De acordo com informação publicada pela Revista Ultimato na edição de
janeiro/fevereiro deste ano, “o número de pessoas ‘doentes de tristeza cresce no
mundo e o Brasil está no topo desse ranking – somos campeões na incidências de
depressão e ansiedade.” Quando lemos algo do tipo ficamos alarmados e
rapidamente nos perguntamos: o que há de errado com a civilização?

Tenho um amigo amazonense, daqueles homens intelectuais de pé no chão,
profundamente ligado à cultura da terra e aos hábitos simples da população
ribeirinha. Certo dia ele fez a afirmação chocante de que nunca tinha visto doentes
mentais entre os moradores das palafitas. E segundo o meu amigo a explicação
seria simples: doenças mentais são um fenômeno urbano. 

Perdemos o contentamento! Perdemos o estado da alma que sente
satisfação, paz e serenidade. Não há terreno fértil para o contentamento diante da
competição social e do egoísmo humano e muito menos diante da nossa natureza
desgostosa, gananciosa. O ambiente que nos cerca propicia insatisfação, levando-
nos a desejar mais do que realmente precisamos.  “Compramos coisas que não
precisamos, com o dinheiro que não temos, para impressionar pessoas das quais
não gostamos”. A alma humana, insaciável, nunca diz basta. Os olhos nunca se
contentam. Apesar de ter muito, a alma continua vazia porque falta o essencial:
sentido e propósito profundo na existência.

 Contentamento não tem a ver com bens, nem com circunstâncias porque é
um estado da alma. Muitos se satisfazem com pouco, em um ambiente de singeleza
e alegria. Concomitantemente, outros se perdem no muito, com a alma inquieta e
desassossegada.

 Jesus percebeu a inquietação dos seus discípulos quando lhes perguntou:
“Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso de sua
vida?”. Os evangelhos dizem que ele olhou para a multidão que o seguia, cansada,
como ovelhas sem pastor e os convidou: “Vinde a mim todos vós, que estais
cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomais sobre vós a minha canga, e
aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e achareis descanso para
as vossas almas”. O verdadeiro contentamento é enraizado em Deus.

Rev Samuel Vieira

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

O Olho da Fé.



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"Ouvi falar de ti pela audição do ouvido - mas agora meus olhos te vêem !" Jó 42: 5
O que Jó quis dizer com essa expressão? Obviamente, suas palavras não devem ser entendidas literalmente. Não, empregando uma figura comum do discurso, ele quis dizer que as névoas da incredulidade (ocasionadas pela justiça própria) haviam sido dissipadas, e a fé percebia o ser de Deus como uma realidade gloriosa e viva. ("Meus olhos estão sempre voltados para o Senhor" Salmo 25:15), pelo que significa que sua fé estava constantemente em exercício. De Moisés, diz-se que "ele perseverou em ver aquele que é invisível" (Hebreus 11:27); isto é, seu coração foi sustentado pela fé sendo ocupada com o poderoso Deus.
A fé é frequentemente representada nas Escrituras sob a metáfora da visão corporal . Nosso Senhor disse sobre o grande patriarca: "Abraão, seu pai, se alegrou ao ver o meu dia - e ele o viu e se alegrou" (João 8:56), o que significa que sua fé aguardava o dia da humilhação e exaltação de Cristo. Paulo foi comissionado aos gentios para "abrir os olhos , para transformá-los das trevas em luz e do poder de Satanás em Deus" (At 26:18); ou, em outras palavras, ser o instrumento divino de sua conversão através da pregação a eles da Palavra de Fé. Para alguns de seus filhos errantes, ele escreveu: "Ó tolo Gálatas, que te enfeitiçou, para que você não obedeça a verdade, diante de quem olhos que Jesus Cristo foi claramente exposto, como crucificado entre vós "(Gálatas 3: 1).
Agora, o que desejamos destacar neste artigo é que, quando as Escrituras falam de fé sob a noção de visão corporal, seus escritores estavam fazendo algo mais do que se valer de uma figura de linguagem pertinente e adequada. O Autor das Escrituras é Aquele que formou o olho pela primeira vez, aquele órgão maravilhoso da visão e sem sombra de dúvida Ele o formou de modo a surpreendentemente adumbrar no visível o que agora desempenha um papel tão proeminente nas relações do cristão com o invisível . Tudo no mundo material reflete uma grande realidade no reino espiritual, como deveríamos perceber se tivéssemos apenas sabedoria suficiente para discernir o fato. Um amplo campo é aberto aqui para observação e meditação, mas agora nos limitaremos a um único exemplo, a saber, o olho do corpo - como simboliza a fé do coração .
1. O olho é um órgão passivo . O olho não emite uma luz por si mesmo, nem dá nada aos objetos que contempla. O que o olho pode se comunicar com o sol, a lua e as estrelas quando olha para eles! Não, o olho apenas recebe a impressão ou imagem deles na mente, sem acrescentar nada a eles.
O mesmo acontece com a fé - nada  a Deus, nem ao que vê na Palavra de Sua graça. Simplesmente os recebe ou os leva ao coração quando eles são apresentados à visão da alma à luz da revelação Divina. O que os israelitas mordidos comunicaram à serpente de bronze quando a olharam e foram curados? Tão pouco que nós adicionar a Cristo, quando nós "olhar" a Ele e são salvos (Isaías 45:22).
2. O olho é um órgão diretor . O homem que tem a luz do dia e os olhos abertos - pode ver o caminho e não é tão provável que tropeça em valas ou caia em um precipício como um cego ou que anda à noite.
Assim é com fé: "O caminho dos ímpios é como a escuridão, eles não sabem com o que tropeçam", mas "o caminho dos justos é como a luz brilhante, que brilha cada vez mais até o dia perfeito" (Provérbios 4:19, 18). Dos cristãos, diz-se que "andamos pela fé, não pela vista" (2 Coríntios 5: 7). Ao "olhar para Jesus" (a fé vê o nosso exemplo), estamos habilitados a correr a corrida que está diante de nós.
3. O olho é um órgão muito rápido , absorvendo as coisas a uma grande distância. Dentro de uma fração de momento, posso desviar meu olhar das coisas caídas no chão e focalizá-lo nas montanhas que estão a muitos quilômetros de distância; mais ainda, posso desviar o olhar das coisas da terra e subir entre as estrelas, e em um momento ver toda a extensão dos céus! Que maravilha é essa!
Igualmente maravilhoso é o poder da fé. É de fato uma graça míope, ocupando as coisas a grande distância, como fez a fé dos patriarcas, que viram as coisas prometidas "de longe" (Hebreus 11:13). Da mesma forma, em um momento a fé pode olhar para trás para um passado eterno - e ver as fontes eternas de eleger o amor, ativas em seu nome antes que os fundamentos da terra fossem lançados. E então, no mesmo fôlego, pode se voltar para uma eternidade ainda por vir, e ter uma visão das glórias ocultas do mundo celestial!
4. O olho, apesar de pequeno, é um órgão muito amplo . O homem que está de olhos abertos pode ver tudo o que vem com o alcance de sua visão. Ele pode olhar em volta e ver as coisas por trás, avançar e ver as coisas adiante, descendo sobre as águas em um poço ou um riacho no fundo de uma ravina profunda, para cima e contemplando corpos celestes nos céus distantes.
O mesmo acontece com a fé - ela se estende a tudo o que está dentro da vasta bússola da Palavra de Deus. É preciso conhecimento das coisas no passado distante, também apreende coisas que ainda estão por vir; olha para o inferno e penetra no céu . É capaz de discernir a vaidade do mundo ao nosso redor.
É verdade que pode haver uma fé genuína, que absorve pouco da luz da revelação divina a princípio. No entanto, aqui novamente os fatos terrestres sombreiam com precisão essa verdade espiritual. O olho de uma criança absorve a luz e percebe objetos externos - mas com uma grande dose de fraqueza e confusão, até que à medida que cresce, sua visão se estende cada vez mais. O mesmo acontece com os olhos da fé. A princípio, a luz do conhecimento espiritual é apenas fraca - o bebê em Cristo é incapaz de ver de longe. Mas, à medida que a fé se aprofunda cada vez mais nos mistérios divinos, até que ela chegue a ser absorvida pela visão aberta (João 17:24).
5. O olho é uma faculdade muito segura Dos cinco sentidos corporais, este é o mais convincente. Do que temos mais certeza do que aquilo que vemos com nossos olhos! Alguns tolos podem tentar se convencer de que a matéria é uma ilusão mental - mas ninguém em sã consciência irá acreditar neles. Se um homem vê o sol brilhando nos céus, ele sabe que é dia.
Do mesmo modo, a fé é uma graça que carrega em sua própria natureza uma grande dose de certeza: "Agora, a fé é ter certeza do que esperamos e certo do que não vemos" (Hebreus 11: 1).
Os céticos podem negar a inspiração divina das Escrituras - mas quando os olhos da fé contemplam suas belezas sobrenaturais, a questão é resolvida de uma vez por todas. Outros podem considerar Jesus um mito piedoso - mas, uma vez que o santo realmente tenha visto o Cordeiro de Deus , pode dizer "Eu sei que meu Redentor vive".
6. O olho é um órgão que impressiona . O que vemos deixa uma impressão em nossas mentes. É por isso que precisamos orar com frequência: "Afaste os olhos de contemplar a vaidade" (Salmo 119: 37). É por isso que o profeta declarou: "O que vejo traz tristeza à minha alma" (Lamentações 3:51). Se um homem olha firmemente para o sol por alguns instantes, uma impressão do sol é deixada em seus olhos, mesmo que ele desvie os olhos dele ou os feche.
Do mesmo modo, a verdadeira fé deixa no coração uma impressão do Sol de justiça: "Aqueles que olham para Ele radiam de alegria" (Salmo 34: 5).
Ainda mais definitivo é 2 Coríntios 3:18: "Mas todos nós, com o rosto aberto vendo como num copo a glória do Senhor, somos transformados na mesma imagem de glória em glória, como pelo Espírito do Senhor". Como o poderoso poder de Cristo, nos próximos dias, transformará os corpos de Seu povo da mortalidade para a vida, e da desonra para a glória - o mesmo também faz agora com que o Espírito Santo exerça um poder de transformação moral sobre o caráter daqueles que são Seus. , e que ao colocar a fé em exercício, cuja atividade conforma cada vez mais a alma à imagem do Filho de Deus.
7. O olho é um órgão maravilhoso . Aqueles que são competentes para expressar uma opinião afirmam que o olho é o mais maravilhoso e notável de qualquer parte do corpo humano. Há muita sabedoria e poder do Criador a serem descobertos na formação e operação do olho!
Assim, a fé é uma graça que é maravilhosa e maravilhosamente forjada na alma. Há mais da sabedoria e poder do Divino Obreiro descoberto na formação da graça da fé - do que em qualquer outra parte da nova criatura. Assim, lemos sobre a "obra da fé com poder" (2 Tessalonicenses 1:11). Sim, que o mesmo poder excessivamente grande e poderoso que foi posto por Deus na ressurreição de Cristo dentre os mortos - é exercido sobre e dentro daqueles que crêem! (Efésios 1:19).
8. O olho é uma coisa muito delicada - logo é machucado e facilmente danificado. Um pequeno grão de poeira causará dor e fará com que chore. É muito impressionante notar que esse é o caminho para a recuperação - ela libera a poeira que entra nela.
Assim, a fé é uma graça mais delicada , prosperando melhor em uma consciência pura. Por isso, o apóstolo fala de "manter o mistério da fé em pura consciência" (1 Timóteo 3: 9). Os atos vivos da fé logo são prejudicados pelo pó do pecado ou pelas vaidades do mundo que entram no coração onde estão assentados. E onde quer que esteja a verdadeira fé - se é ferida pelo pecado - ela se exala de uma maneira de tristeza divina.


de Arthur Pink.

NB: Para a maioria dos itens acima, somos gratos a um sermão pregado por Ebenezer Erskine em 1740.